Há uma página branca que o poeta deve preencher. Se ele não o fizer, a página ficará branca eternamente. Alguns morrerão talvez por causa disso, outras não nascerão por causa do silêncio do que viu as coisas apesar da noite e não as quis revelar. Por isso vês o poeta à noite atarefado semeando caracteresContinuar lendo “Ofício”
Arquivos da categoria: literatura
Poema sobre o mundo
O mundo é um imenso quiosque onde há um tablado para chorar e dançar e onde se vendem habitualmente jornais espantosos bebidas cigarros e brinquedinhos para os medrosos se entreterem. O mundo é um quiosque onde o tédio voluteia. Ao seu redor as meninas dão-se as mãos riem e cantam: a casa de bambu coberta de bambuá uá uá uá Continuar lendo “Poema sobre o mundo”
Pássaro
Sou pássaro de um mundo invisível voando no céu deste mundo visível amando o sol deste mundo aprendendo a beleza nem espelho (sou um menino que estuda a vida Nas letras coaguladas da cartilha). Um dia retornarei. Pássaro e menino reencontrarei a sombra da árvore insecular. (1958)
A terra dos homens
A terra dos homens e suas árvores desvairadas cada noite a reencontro. Após o sol, a noite e o mundo disperso sempre em desencontro. A terra dos homens nas trevas enlouquecida é ainda e sempre a doce terra dos homens. (1958)
Sobre a serenidade
Não faço segredo para ninguém de que Norberto Bobbio é um dos meus mestres prediletos. A clareza e o delineamento fino com que trabalha os conceitos são um alívio para a inteligência. Seu trabalho principal centrou-se no exame dos conceitos sobre política, uma das atividades humanas em que a relação entre instinto e inteligência viveContinuar lendo “Sobre a serenidade”
O PASSARIM
Um dia um passarinho, que se chamava Passarim, estava voando distraído. Sei lá no que é que ele estava pensando. Devia estar com a cabeça nas nuvens. De repente, do meio das nuvens, veio um ronco horroroso. Mais ou menos assim: vvvvrrrruuuummmm!!!! Mas muito mais forte. Passarim pensou logo na bruxa, voando com a suaContinuar lendo “O PASSARIM”
UMA NOVA ERA
Meus primeiros poemas e contos, quando ainda adolescente, escrevi com caneta tinteiro: a “Parker 51”, que era um avanço sem tamanho. Antes dela, era preciso ter a caneta e o tinteiro, cuidando para não pingar nem derramar, que foi o que usei na escola primária e no ginásio. Quando tive o primeiro salário, o mundoContinuar lendo “UMA NOVA ERA”
O JACARÉ NO PARQUE
O JACARÉ DA LAGOA – PARTE 2 Um dia o homem notou que o jacaré andava meio aborrecido. Ele se enfiava embaixo da cama e ficava ali, de olhos tristes. Nem quando o homem chegava com uma cesta de ovos bem fresquinhos o jacaré saia do seu canto. Devia estar com saudades da lagoa. OContinuar lendo “O JACARÉ NO PARQUE”
O JACARÉ DA LAGOA
Era uma vez um jacaré que morava na lagoa. Perto da lagoa morava um homem. Cada vez que o homem ia nadar na lagoa o jacaré batia com o rabo na água e fazia: Nhaque! Nhaque! Nhaque! Aí o homem saía correndo, morto de susto. E dizia: – Deixa estar, jacaré. Um dia a lagoaContinuar lendo “O JACARÉ DA LAGOA”
O DECAMERÃO
Impossível, nesta época de fuga de contágios, não vir à tona da memória a obra imortal de Giovanni Boccaccio, o Decamerone, que na tradução para o português se chama O Decamerão. Ela teve tanta força na literatura italiana que foi apelidada de “Comédia Humana”, para colocá-la no mesmo pedestal da “Divina Comédia” de Dante Alighieri. Continuar lendo “O DECAMERÃO”