Etnicidades na literatura brasileira

Na minha visão, a literatura brasileira da segunda metade do século XX continua sendo avaliada com instrumentos e padrões que vêm do século XIX, do período romântico-realista-naturalista e, também, do período modernista. Essas ferramentas serviram para analisar a literatura desses períodos, mas são inadequadas para explicar e entender a literatura brasileira do último meio século. Então, aContinuar lendo “Etnicidades na literatura brasileira”

Construir um poema é montar palavras

João Cabral de Melo Neto, em sua “Psicologia da Composição”, que estamos lendo, escreveu no poema de número VII: É mineral o papel onde escrever o verso; o verso que é possível não fazer. […] É mineral, por fim, qualquer livro; que é mineral a palavra escrita, a fria natureza da palavra escrita. Então, para quemContinuar lendo “Construir um poema é montar palavras”

A psicologia da composição

Para darmos prosseguimento ao modo de João Cabral de Melo Neto encarar a poesia, vamos ler o poema “Psicologia da composição”, publicado no livro com o mesmo título, em 1947. O livro todo é uma meditação sobre o papel da poesia. Este poema, em particular, divide-se em oito partes. Na primeira, João Cabral começa assim: SaioContinuar lendo “A psicologia da composição”

Máquina para comover

Prosseguimos, com a poética de João Cabral de Melo Neto. Sua posição é contrária à da visão romântica, de que o poema deve ser o repositório das emoções do poeta. Basta ler o prólogo de Gonçalves Dias, no seu livro Primeiros Cantos (1846), onde ele diz exatamente isto sobre suas poesias: “escrevi-as para mim, e não para osContinuar lendo “Máquina para comover”

O poeta engenheiro

Houve um período, quando eu era professor de Literatura Brasileira na UCS, em que um grupo de alunas decidiu gravar minhas aulas, fazer a sua transcrição e me presentear com uma cópia datilografada. Belos tempos! Guardo até hoje em meu baú secreto essas cópias. Tomo a liberdade de as compartilhar, neste site “onde economia e cultura seContinuar lendo “O poeta engenheiro”

Quem inventou o soneto

Os sonetos de Francesco Petrarca foram um modelo de poesia lírica para toda a literatura ocidental. Gregório de Matos foi, no Brasil, o primeiro a juntar água dos sonetos de Petrarca para a sua jarra. Depois de Gregório de Matos, o soneto voltaria ao topo da glória na poesia de Cláudio Manuel da Costa. Teve um parêntese no romantismoContinuar lendo “Quem inventou o soneto”

O exemplo de resistência da língua provençal

Os troubadours A língua provençal – também identificada como Occitano e como Languedoc – foi a matriz de toda a poesia ocidental produzida depois do latim. Nela escreveram os troubadours (trovadores), que foram modelo para os poetas de todas as línguas neolatinas, do italiano ao português. O mais famoso deles foi Arnault Daniel (1150-1210), que Dante, naContinuar lendo “O exemplo de resistência da língua provençal”

Carta aos católicos caxienses

Chegou a minhas mãos, não lembro mais em que circunstâncias, o fac-símile de um pedaço de página do jornal Il Colono Italiano, do ano de 1899. Esse foi o segundo jornal de Caxias, fundado pelo Padre Nosadini no ano anterior, em 1º de janeiro de 1898, para se opor ao primeiro, O Caxiense. O fac-símile reproduz, em língua italiana, uma cartaContinuar lendo “Carta aos católicos caxienses”

Frótola: um gênero de poesia

Frótola foi uma das palavras que aprendi à medida em que era iniciado na fala do Talian. Pelo que captei nas conversas, ela podia significar “piada” ou “anedota”, mas também “mentira”. O Dicionário Vêneto Sul-rio-grandense, de Alberto V. Stawinski (na época o Talian ainda era chamado de Vêneto), traz esta definição: Frótola, s.f., piada, chalaça, dito zombeteiro, lorota.Continuar lendo “Frótola: um gênero de poesia”

Dicionário do Ítalo-Português

O imigrante italiano não apenas criou uma nova língua – o Talian, reconhecido como patrimônio linguístico brasileiro – como contribuiu com vocábulos que foram sendo incorporados ao português falado no Brasil. Nem todos esses vocábulos, porém, obtiveram ainda acolhimento nos dicionários. Para fazer um teste, fui conferir o Dicionário Houaiss e encontrei apenas quatro palavras vindas com os imigrantes aliContinuar lendo “Dicionário do Ítalo-Português”

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