A Festa da uva de 1972 se tornou famosa – talvez a mais famosa de todas – porque no dia 19 de fevereiro, com a presença do Presidente Médici, aconteceu a primeira transmissão a cores da televisão brasileira, mostrando o corso alegórico a desfilar pela Rua Sinimbu e pela praça central. Isto é, as primeiras imagens aContinuar lendo “Cinquentenário da TV a cores com sabor de uva”
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Saudando a Festa da Uva: juntos outra vez!
“A alegria de estarmos juntos!” Com este lema, Caxias do Sul convidou as cidades vizinhas e o Brasil inteiro para se associarem à Festa da Uva de 2006. De fato, para haver festa, é preciso alegria. E para haver alegria, é preciso estarmos juntos. Com o distanciamento, com a desconfiança, com a discriminação, com a raiva, comContinuar lendo “Saudando a Festa da Uva: juntos outra vez!”
A região no planeta global
Como escrevi certa vez, “o tema da região me persegue”. E apontava duas razões para isso. Primeiro, porque nasci e vivo no Rio Grande do Sul, uma região que sempre se quis independente: na economia, na política, na cultura. Segundo, porque estou num espaço criado pela imigração italiana, que reivindica o tempo todo ter uma identidade própriaContinuar lendo “A região no planeta global”
Etnicidades na literatura brasileira
Na minha visão, a literatura brasileira da segunda metade do século XX continua sendo avaliada com instrumentos e padrões que vêm do século XIX, do período romântico-realista-naturalista e, também, do período modernista. Essas ferramentas serviram para analisar a literatura desses períodos, mas são inadequadas para explicar e entender a literatura brasileira do último meio século. Então, aContinuar lendo “Etnicidades na literatura brasileira”
Construir um poema é montar palavras
João Cabral de Melo Neto, em sua “Psicologia da Composição”, que estamos lendo, escreveu no poema de número VII: É mineral o papel onde escrever o verso; o verso que é possível não fazer. […] É mineral, por fim, qualquer livro; que é mineral a palavra escrita, a fria natureza da palavra escrita. Então, para quemContinuar lendo “Construir um poema é montar palavras”
A psicologia da composição
Para darmos prosseguimento ao modo de João Cabral de Melo Neto encarar a poesia, vamos ler o poema “Psicologia da composição”, publicado no livro com o mesmo título, em 1947. O livro todo é uma meditação sobre o papel da poesia. Este poema, em particular, divide-se em oito partes. Na primeira, João Cabral começa assim: SaioContinuar lendo “A psicologia da composição”
Máquina para comover
Prosseguimos, com a poética de João Cabral de Melo Neto. Sua posição é contrária à da visão romântica, de que o poema deve ser o repositório das emoções do poeta. Basta ler o prólogo de Gonçalves Dias, no seu livro Primeiros Cantos (1846), onde ele diz exatamente isto sobre suas poesias: “escrevi-as para mim, e não para osContinuar lendo “Máquina para comover”
O poeta engenheiro
Houve um período, quando eu era professor de Literatura Brasileira na UCS, em que um grupo de alunas decidiu gravar minhas aulas, fazer a sua transcrição e me presentear com uma cópia datilografada. Belos tempos! Guardo até hoje em meu baú secreto essas cópias. Tomo a liberdade de as compartilhar, neste site “onde economia e cultura seContinuar lendo “O poeta engenheiro”
Quem inventou o soneto
Os sonetos de Francesco Petrarca foram um modelo de poesia lírica para toda a literatura ocidental. Gregório de Matos foi, no Brasil, o primeiro a juntar água dos sonetos de Petrarca para a sua jarra. Depois de Gregório de Matos, o soneto voltaria ao topo da glória na poesia de Cláudio Manuel da Costa. Teve um parêntese no romantismoContinuar lendo “Quem inventou o soneto”
O exemplo de resistência da língua provençal
Os troubadours A língua provençal – também identificada como Occitano e como Languedoc – foi a matriz de toda a poesia ocidental produzida depois do latim. Nela escreveram os troubadours (trovadores), que foram modelo para os poetas de todas as línguas neolatinas, do italiano ao português. O mais famoso deles foi Arnault Daniel (1150-1210), que Dante, naContinuar lendo “O exemplo de resistência da língua provençal”