Chegou a minhas mãos, não lembro mais em que circunstâncias, o fac-símile de um pedaço de página do jornal Il Colono Italiano, do ano de 1899. Esse foi o segundo jornal de Caxias, fundado pelo Padre Nosadini no ano anterior, em 1º de janeiro de 1898, para se opor ao primeiro, O Caxiense. O fac-símile reproduz, em língua italiana, uma cartaContinuar lendo “Carta aos católicos caxienses”
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Frótola: um gênero de poesia
Frótola foi uma das palavras que aprendi à medida em que era iniciado na fala do Talian. Pelo que captei nas conversas, ela podia significar “piada” ou “anedota”, mas também “mentira”. O Dicionário Vêneto Sul-rio-grandense, de Alberto V. Stawinski (na época o Talian ainda era chamado de Vêneto), traz esta definição: Frótola, s.f., piada, chalaça, dito zombeteiro, lorota.Continuar lendo “Frótola: um gênero de poesia”
Dicionário do Ítalo-Português
O imigrante italiano não apenas criou uma nova língua – o Talian, reconhecido como patrimônio linguístico brasileiro – como contribuiu com vocábulos que foram sendo incorporados ao português falado no Brasil. Nem todos esses vocábulos, porém, obtiveram ainda acolhimento nos dicionários. Para fazer um teste, fui conferir o Dicionário Houaiss e encontrei apenas quatro palavras vindas com os imigrantes aliContinuar lendo “Dicionário do Ítalo-Português”
Os animais ao redor
Não é possível trazer à tona as memórias de minha infância sem falar dos animais que nos rodeavam. Um item que exige um pouco de método para não parecer uma babel, pois eram muitas as espécies. Começo pelos animais domésticos, na nossa casa e na casa dos vizinhos. Em casa tínhamos: o cavalo, a vaca de leite,Continuar lendo “Os animais ao redor”
As primeiras leituras
O leitor inveterado que eu era, a ponto de posar para fotografia com um livro na mão, aos oito anos de idade, teve contato com diversos textos que foram abrindo os horizontes do mundo, para além de São Roque da Goiabeira. Um livro fundamental foi a Seleta em Prosa e Verso, da autoria de Alfredo ClementeContinuar lendo “As primeiras leituras”
O poeta economista
Fernando Pessoa é conhecido como o poeta dos heterônimos – o de muitos nomes – que costumam ser atribuídos às várias personalidades que o próprio Pessoa reconhecia dentro dele: Alberto Caeiro, Ricardo Reis, Álvaro de Campos, Coelho Pacheco e… Fernando Pessoa ele mesmo. O que poucos sabem é da existência de outra de suas personalidades: aContinuar lendo “O poeta economista”
Aprendizados em São Roque da Goiabeira
A colônia de Santa Teresa, onde nasci, esgotou suas terras à venda. Mas, como o projeto de atrair agricultores dera bons resultados, a Prefeitura de São Chico o expandiu para o lado do Arroio Goiabeira, que tinha às suas margens terras férteis e de futuro. Nesse local foi erguida a capela de São Roque e, atrásContinuar lendo “Aprendizados em São Roque da Goiabeira”
Amigo à primeira vista
Neste momento em que o Brasil lamenta a despedida de Paulo José, figura marcante do teatro e da narrativa visual no cinema e na televisão, não posso me furtar de trazer à lembrança algumas passagens que vivemos juntos. Tudo aconteceu quando ele dirigiu a gravação de O Caso do Martelo para a TV Globo, em maio de 1991. EleContinuar lendo “Amigo à primeira vista”
Os parentes bem longe
Uma carência na minha infância – que eu sentia como carência – era a de não conhecer de perto os parentes da família a não ser, é claro, meus irmãos e irmãs. Não conheci avós, com exceção do vovô Guilherme, nem tios, nem primos. Acontece que meus pais, assim que se casaram no município deContinuar lendo “Os parentes bem longe”
Afinidades sempre existem
Quando meu romance O Quatrilho atravessou o Oceano Atlântico, um crítico português o elogiou, comparando-o, na forma e no tema, com os do escritor italiano Cesare Pavese, nascido em 1908. Obra e autor que eu nunca havia lido. A partir daí fui à sua procura e, de fato, encontrei vários pontos de afinidade com ele. Também ele fezContinuar lendo “Afinidades sempre existem”