À cozinha de minha mãe

É crença comum de que não existe lembrança mais persistente do que a dos “sabores de infância”. Sabores no sentido literal, ou bucal. Aqueles que ficam registrados para sempre no aparelho gustativo. Aparelho cheio de truques e segredos, como aprendi de um sommelier, porque nele convergem todos os sentidos do corpo, mais a imaginação e aContinuar lendo “À cozinha de minha mãe”

O cavalo branco na memória

No primeiro livro de poesia de que participei, livro a que demos o título de Matrícula, compareço com um poema sobre o cavalo, com este desejo: “Ah, não ser eu como o cavalo, não ter um mundo sereno em que me detenha tranquilo e paste em segurança.” A figura do cavalo retorna em todos meus livrosContinuar lendo “O cavalo branco na memória”

A relação entre o autor e o leitor

Antonio Candido (1918-2017) foi, e continua sendo, um mestre insubstituível para quem quer conhecer a fundo a literatura no Brasil. Sua obra fundamental, e insubstituível, é Formação da literatura brasileira – Momentos decisivos, em dois volumes. De uma honestidade também exemplar, diz ele ao leitor, no prefácio do primeiro volume: “Este livro foi preparado e redigido entreContinuar lendo “A relação entre o autor e o leitor”

Casa de chão

Nossos vizinhos mais próximos em Santa Teresa, na descida de um morro entre as duas casas, eram o seu Felicício e a dona Angerca. Isso na pronúncia com que eram tratados. Na realidade, em português padrão, eram eles o seu Felício e a dona Angélica. Seu Felicício trabalhava numa serraria ali perto. Dona Angerca cuidava da casa,Continuar lendo “Casa de chão”

Era de certezas e incertezas

Neste tempo de incertezas, anda todo o mundo em busca de alguma certeza. Dentro da pandemia o grau é mais agudo, mas essa é uma situação de que a humanidade nunca conseguiu fugir: o que vai acontecer no futuro é uma pergunta feita o tempo todo. É dela que surgem os adivinhos, os profetas, osContinuar lendo “Era de certezas e incertezas”

Um mundo branco de neve

O mundo inteiro já sabe que nasci em São Francisco de Paula, num lugarejo chamado Santa Teresa, no então distrito de Tainhas, onde foi lavrada minha certidão de nascimento. Tainhas era o quarto distrito do município, como aprendi na escola. Ou em casa, porque meu pai era professor do ensino primário e as aulas dele continuavam dentroContinuar lendo “Um mundo branco de neve”

A Babel da língua universal

No meu tempo de ginasiano, a língua incluída no currículo, por ser considerada universal, era a Língua Francesa. Fiz tantas leituras e estudos em francês que ele terminou por ser minha segunda língua. A ponto de receber de um professor da Universidade de Marselha este comentário, que até hoje não sei se era elogioso: “Vous parlez unContinuar lendo “A Babel da língua universal”

Da cultura eslava à cultura latina

Uma das cidades que mais gostei de conhecer foi Bucareste, a capital da Romênia. O nome Bucareste tem origem eslava, e significa “lugar alegre” na primitiva língua local. Algo parecido com o nome do nosso “Alegrete”. E o país se chamava Dácia, antes de o imperador Trajano o ter incorporado como província romana, em 104 d.C.,Continuar lendo “Da cultura eslava à cultura latina”

Passagem de peões em Lisboa

Em minha primeira estada em Lisboa, dei-me conta de que precisava aprender outra língua para circular na cidade. O bonde é chamado de trem, e o trem se chama comboio. No ponto em que pedestres podem cruzar a rua, uma placa informa: “Passagem de Peões”. A camiseta dos jogadores do Benfica se chama camisola, e porContinuar lendo “Passagem de peões em Lisboa”

Dois invernos bem diferentes

O poeta Jorge de Lima, alagoano, autor do monumento épico-lírico intitulado Invenção de Orfeu, escreveu um poema sobre o inverno. O inverno que ele avistava mudando as cores da Serra da Barriga, para a qual escreveu também versos saudosos: “Serra da Barriga! Te vejo da casa em que nasci.” Seu poema sobre o inverno nordestino, onde a neveContinuar lendo “Dois invernos bem diferentes”

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