Quem leu minha novela O Caso da Caçada de Perdiz, ambientada nos Campos de Cima da Serra, deve ter ficado se perguntando de onde saiu a cena em que Pasúbio é aconselhado por Nhá Inácia a fazer uma “coberta d’alma”. A cena é a seguinte: Nhá Inácia acha que a alma do morto no crimeContinuar lendo “COBERTA DA ALMA”
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A velhice e as relações de poder
Na semana passada citei Norberto Bobbio, o grande jurista e filósofo do Piemonte. Volto a ele, para abordar um assunto que certamente interessa a todos os que estamos no “grupo de risco” e, portanto, em rígida quarentena… E que pode interessar aos que cuidam carinhosamente de nós. Bobbio escreveu aos 85 anos um livro comContinuar lendo “A velhice e as relações de poder”
A arte do queijo
Nestes tempos de retiro geral, uma compulsão quase incontrolável é a de escarafunchar o fundo do baú. Até a televisão está fazendo isso, com filmes, grupos musicais, jogos de futebol e outros feitos trazidos à tona da memória. A minha compulsão é a de mexer com antigos escritos, e confesso que até eu mesmo meContinuar lendo “A arte do queijo”
Sobre a serenidade
Não faço segredo para ninguém de que Norberto Bobbio é um dos meus mestres prediletos. A clareza e o delineamento fino com que trabalha os conceitos são um alívio para a inteligência. Seu trabalho principal centrou-se no exame dos conceitos sobre política, uma das atividades humanas em que a relação entre instinto e inteligência viveContinuar lendo “Sobre a serenidade”
COZINHA E FOGÃO
Quando saímos, minha mulher e eu, a comprar nosso primeiro apartamento – ninguém está livre desse tipo de sonho – encontramos este em que estamos morando até hoje, numa relação de absoluta fidelidade dele conosco e nossa com ele. Foi um desses casos raros de amor à primeira vista que continuam pelo resto da vida.Continuar lendo “COZINHA E FOGÃO”
CHINESARIA
Shan Sa era uma garota de 16 anos que fazia poemas, em Pequim, quando o regime mandou metralhar 5 mil estudantes na praça da Paz Celestial, em junho de 1986. A imagem que correu mundo, do estudante solitário desafiando um tanque que avançava sobre ele, num daqueles dias da revolta estudantil, ficará como a melhorContinuar lendo “CHINESARIA”
CÉREBRO
Perdi a conta das vezes que contei aqui resumos de conversas com taxistas. Os leitores não vão se aborrecer se conto mais uma. Os motoristas de táxi, de tanto conduzirem a gente pelas ruas, se tornam uma espécie de condutores também pelos caminhos da vida. Não é difícil de explicar: a profissão deles, que osContinuar lendo “CÉREBRO”
CARANDIRU
Seguidamente visito escolas pelo Rio Grande afora, de Iraí ao Chuí, e acabo vendo e ouvindo coisas lá dentro da cozinha, como se diz. Sou convidado, como seria de esperar, para falar (bem) de minha obra e contar curiosidades do making of de um escritor. Mas sempre uma professora, ou mais raramente a diretora (háContinuar lendo “CARANDIRU”
BOQUIRROTO
Uma noite dessas, zapeando, peguei já na metade o poeta João Cabral de Melo Neto numa entrevista, gravada na certa há mais de 30 anos pela televisão cultural do governo (não sei que nome tinha ela na época). João Cabral estava com um desses óculos de aro grosso, que também já usei, e que davaContinuar lendo “BOQUIRROTO”
BALUARTE
Todo o mundo é composto de mudança, lamentava Camões, que depois de uma certa idade, como nós, também não conseguia se acostumar com a idéia da fugacidade das coisas. O pior, dizia ele no final do soneto, é que até a mudança muda: nem ela muda mais como antigamente, nem ela é mais “como soía”.Continuar lendo “BALUARTE”