Juana de Ibarbourou Com marmelos maduros Perfumo os armários. Tem toda minha roupa Um aroma de fruta que a meu corpo Dá um constante sabor de primavera. Quando das prateleiras Polidas e profundas Tiro uma pilha branca De roupa íntima, Pelo quarto se espalha Um clima de pomar. É como se eu tivesse em meusContinuar lendo “CHEIRO DE FRUTA”
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MEUS OITENTA ANOS
Ai quanta alegria eu tenho De chegar a essa idade Cheia de maturidade Que os anos dão sempre mais. E quanto amor, quantos sonhos, Eu vivi pelo caminho Sempre cheio de carinho E abraços bem risonhos. Por isso quero seguir, Tendo sempre o meu afeto, Sempre com novo projeto, Para me deixar feliz. Todos osContinuar lendo “MEUS OITENTA ANOS”
VOVÔ E VOVÓ
O inverno tinha coberto de geada os campos lá fora. Sentados perto do fogo, os dois observavam, com o indisfarçado desdém dos sábios e dos vividos, a neta que andava do fogão para a pia, da pia para a sala, da sala para o quarto de dormir, ágil, eficiente, cansativa. – Para que tanto arrumar?Continuar lendo “VOVÔ E VOVÓ”
AUTORES GAÚCHOS NA ITÁLIA
Na Universidade de Perugia está o maior tradutor e divulgador da nossa literatura na Itália. Seu nome é Brunelo Natale de Cusatis, professor titular da cadeira de Língua e Literatura Portuguesa e Brasileira. Traduziu para o italiano a poesia de Fernando Pessoa e, para nosso orgulho, escritores de origem italiana aqui do Sul do Brasil.Continuar lendo “AUTORES GAÚCHOS NA ITÁLIA”
AS INTENÇÕES DO AUTOR
Há quem entenda que um escritor nunca deva dizer de suas intenções, e que o trabalho de descobri-las compete ao leitor. Mas tantos perguntam sobre o que pretendi alcançar com a minha obra que não fujo de dizer quais as minhas intenções, ou o que penso sejam elas. Ao definir o projeto (tratou-se de fatoContinuar lendo “AS INTENÇÕES DO AUTOR”
A QUARTA IDADE
Norberto Bobbio, o grande jurista e filósofo do Piemonte, escreveu aos 85 anos um livro com o título De senectute (isto é, “Sobre a velhice”), que foi publicado em português com o título aguado de Tempo da Memória (1997), ou para evitar o latim, talvez demasiado erudito para os novos, ou para não ferir suscetibilidadesContinuar lendo “A QUARTA IDADE”
A IMPORTÂNCIA DA CRÔNICA
Numa entrevista que concedeu à televisão, o poeta Drummond de Andrade foi perguntado sobre sua outra faceta literária, a de cronista. Que importância dava o escritor para a crônica de jornal, quis saber o entrevistador. Para surpresa de quem lê seus versos contidos, de poucas palavras, Drummond se tornou de repente loquaz, em tom deContinuar lendo “A IMPORTÂNCIA DA CRÔNICA”
A MURALHA DA MAESA
Fui convidado há algum tempo para acompanhar uma visita técnica ao prédio da Maesa. A maior parte do grupo de especialistas só conhecia a fábrica do lado de fora e tinha, portanto, uma ideia superficial do conjunto. A primeira surpresa foi ver lá dentro um lago, cercado de árvores, muitas delas carregadas de frutas. NoContinuar lendo “A MURALHA DA MAESA”
TRIGO E MILHO
A primeira imagem que tive da Romênia, quando o avião desceu no aeroporto de Bucareste, foi a de uma planície de trigais recém-colhidos, a perder de vista. Entre eles, tiras de cor verde que, mais perto do chão, deu para ver serem plantações de milho. São as duas culturas principais dos campos romenos. No inícioContinuar lendo “TRIGO E MILHO”
REDE DO INDIVIDUALISMO
Sentada num banco da praça, à sombra amena das árvores, um alívio nesses dias de canícula que acabamos de atravessar, a velha senhora dizia para outra a seu lado: “Eu gosto de ver a família inteira reunida para o almoço. Botar todos os pratos na mesa, sentar todo mundo em roda e comer todo mundoContinuar lendo “REDE DO INDIVIDUALISMO”