ONDE ESTÃO AS HISTÓRIAS

Na primeira vez em que me encontrei com Ignácio de Loyola Brandão, perguntei se ele era mineiro. É claro que se eu prestasse atenção nas orelhas de seus livros, não faria a pergunta. Mas, sei lá por que razão, seus romances sempre me passaram a impressão de haver neles um olhar mineiro, pousado sobre osContinuar lendo “ONDE ESTÃO AS HISTÓRIAS”

O QUE É SÓLIDO DESMANCHA

“Tudo o que é sólido desmancha no ar”. Essa frase do Manifesto Comunista de 1848 dava idéia de como Marx e Engels estavam espantados com as mudanças que começavam a ser introduzidas pela modernidade. Uma frase mais profética do que real: o mundo estava ainda muito sólido naquele ano do Manifesto. Um século e meioContinuar lendo “O QUE É SÓLIDO DESMANCHA”

CHEIRO DE FRUTA

Juana de Ibarbourou Com marmelos maduros Perfumo os armários. Tem toda minha roupa Um aroma de fruta que a meu corpo Dá um constante sabor de primavera. Quando das prateleiras Polidas e profundas Tiro uma pilha branca De roupa íntima, Pelo quarto se espalha  Um clima de pomar. É como se eu tivesse em meusContinuar lendo “CHEIRO DE FRUTA”

MEUS OITENTA ANOS

Ai quanta alegria eu tenho De chegar a essa idade Cheia de maturidade Que os anos dão sempre mais. E quanto amor, quantos sonhos, Eu vivi pelo caminho Sempre cheio de carinho E abraços bem risonhos. Por isso quero seguir,  Tendo sempre o meu afeto, Sempre com novo projeto, Para me deixar feliz. Todos osContinuar lendo “MEUS OITENTA ANOS”

AUTORES GAÚCHOS NA ITÁLIA

Na Universidade de Perugia está o maior tradutor e divulgador da nossa literatura na Itália. Seu nome é Brunelo Natale de Cusatis, professor titular da cadeira de Língua e Literatura Portuguesa e Brasileira. Traduziu para o italiano a poesia de Fernando Pessoa e, para nosso orgulho, escritores de origem italiana aqui do Sul do Brasil.Continuar lendo “AUTORES GAÚCHOS NA ITÁLIA”

AS INTENÇÕES DO AUTOR

Há quem entenda que um escritor nunca deva dizer de suas intenções, e que o trabalho de descobri-las compete ao leitor. Mas tantos perguntam sobre o que pretendi alcançar com a minha obra que não fujo de dizer quais as minhas intenções, ou o que penso sejam elas. Ao definir o projeto (tratou-se de fatoContinuar lendo “AS INTENÇÕES DO AUTOR”

A QUARTA IDADE

Norberto Bobbio, o grande jurista e filósofo do Piemonte, escreveu aos 85 anos um livro com o título De senectute (isto é, “Sobre a velhice”), que foi publicado em português com o título aguado de Tempo da Memória (1997), ou para evitar o latim, talvez demasiado erudito para os novos, ou para não ferir suscetibilidadesContinuar lendo “A QUARTA IDADE”

A IMPORTÂNCIA DA CRÔNICA

Numa entrevista que concedeu à televisão, o poeta Drummond de Andrade foi perguntado sobre sua outra faceta literária, a de cronista. Que importância dava o escritor para a crônica de jornal, quis saber o entrevistador. Para surpresa de quem lê seus versos contidos, de poucas palavras, Drummond se tornou de repente loquaz, em tom deContinuar lendo “A IMPORTÂNCIA DA CRÔNICA”

A MURALHA DA MAESA

Fui convidado há algum tempo para acompanhar uma visita técnica ao prédio da Maesa. A maior parte do grupo de especialistas só conhecia a fábrica do lado de fora e tinha, portanto, uma ideia superficial do conjunto.  A primeira surpresa foi ver lá dentro um lago, cercado de árvores, muitas delas carregadas de frutas. NoContinuar lendo “A MURALHA DA MAESA”

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