– Parentes bem longe – Uma carência na minha infância – que eu sentia como carência – era a de não conhecer de perto os parentes da família. Com exceção, é claro, de meus irmãos. Não conheci avós, com exceção do vovô Guilherme, nem tios, nem primos. Acontece que meus pais, assim que casaram noContinuar lendo “MEMÓRIAS DE SÃO CHICO 5”
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O otimismo de Cândido – ou um pouco de filosofia
Tomei conhecimento da história, intitulada “Cândido ou o Otimismo”, de Voltaire, lendo Machado de Assis. Tanto nas Memórias Póstumas de Braz Cubas quanto no Quincas Borba, sem falar nas suas crônicas, Machado sempre citou esse texto para fazer ironia sobre o otimismo defendido pelo Doutor Pangloss, para quem “vivemos a melhor das vidas no melhorContinuar lendo “O otimismo de Cândido – ou um pouco de filosofia”
MEMÓRIAS DE SÃO CHICO 4
– A COZINHA DE MINHA MÃE – É crença comum de que não existe lembrança mais persistente do que a dos “sabores de infância”. Sabores no sentido literal, ou bucal. Aqueles que ficam registrados para sempre no aparelho gustativo. Aparelho cheio de truques e segredos, como aprendi de um sommelier, porque nele convergem todos osContinuar lendo “MEMÓRIAS DE SÃO CHICO 4”
MEMÓRIAS DE SÃO CHICO 3
O cavalo branco na memória. No primeiro livro de poesia de que participei, livro a que demos o títulode Matrícula, compareço com um poema sobre o cavalo, com este desejo: “Ah, não ser eu como o cavalo,não ter um mundo serenoem que me detenha tranquiloe paste em segurança.” A figura do cavalo retorna em todosContinuar lendo “MEMÓRIAS DE SÃO CHICO 3”
MEMÓRIAS DE SÃO CHICO 2
Casa de chão Nossos vizinhos mais próximos em Santa Teresa, descendo um morroentre as duas casas, eram o seu Felicício e a dona Anjerca. Isso na pronúnciacom que eram tratados. Na realidade eram eles o seu Felício e a donaAngélica.Seu Felicício trabalhava numa serraria ali perto. Dona Anjerca cuidavada casa, das crianças, e tratava duasContinuar lendo “MEMÓRIAS DE SÃO CHICO 2”
Rubem Fonseca: um nome para não esquecer
Numa entrevista que dei pouco mais de trinta anos atrás, e que foi publicada pelo Instituto Estadual do Livro, na série Autores Gaúchos, fiz esta afirmação: “Para mim, Rubem Fonseca é o maior escritor brasileiro atual. Ele é o que realmente está com uma linguagem moderna”. Em minhas aulas sobre literatura brasileira – invoco osContinuar lendo “Rubem Fonseca: um nome para não esquecer”
COBERTA DA ALMA
Quem leu minha novela O Caso da Caçada de Perdiz, ambientada nos Campos de Cima da Serra, deve ter ficado se perguntando de onde saiu a cena em que Pasúbio é aconselhado por Nhá Inácia a fazer uma “coberta d’alma”. A cena é a seguinte: Nhá Inácia acha que a alma do morto no crimeContinuar lendo “COBERTA DA ALMA”
A velhice e as relações de poder
Na semana passada citei Norberto Bobbio, o grande jurista e filósofo do Piemonte. Volto a ele, para abordar um assunto que certamente interessa a todos os que estamos no “grupo de risco” e, portanto, em rígida quarentena… E que pode interessar aos que cuidam carinhosamente de nós. Bobbio escreveu aos 85 anos um livro comContinuar lendo “A velhice e as relações de poder”
A terra dos homens
A terra dos homens e suas árvores desvairadas cada noite a reencontro. Após o sol, a noite e o mundo disperso sempre em desencontro. A terra dos homens nas trevas enlouquecida é ainda e sempre a doce terra dos homens. (1958)
O PASSARIM
Um dia um passarinho, que se chamava Passarim, estava voando distraído. Sei lá no que é que ele estava pensando. Devia estar com a cabeça nas nuvens. De repente, do meio das nuvens, veio um ronco horroroso. Mais ou menos assim: vvvvrrrruuuummmm!!!! Mas muito mais forte. Passarim pensou logo na bruxa, voando com a suaContinuar lendo “O PASSARIM”