O cavalo branco na memória. No primeiro livro de poesia de que participei, livro a que demos o títulode Matrícula, compareço com um poema sobre o cavalo, com este desejo: “Ah, não ser eu como o cavalo,não ter um mundo serenoem que me detenha tranquiloe paste em segurança.” A figura do cavalo retorna em todosContinuar lendo “MEMÓRIAS DE SÃO CHICO 3”
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MEMÓRIAS DE SÃO CHICO 2
Casa de chão Nossos vizinhos mais próximos em Santa Teresa, descendo um morroentre as duas casas, eram o seu Felicício e a dona Anjerca. Isso na pronúnciacom que eram tratados. Na realidade eram eles o seu Felício e a donaAngélica.Seu Felicício trabalhava numa serraria ali perto. Dona Anjerca cuidavada casa, das crianças, e tratava duasContinuar lendo “MEMÓRIAS DE SÃO CHICO 2”
MEMÓRIAS DE SÃO CHICO
1. Branco de neve O mundo inteiro já sabe que nasci em São Francisco de Paula, num lugarejo chamado Santa Teresa, no então distrito de Tainhas, que era o quarto distrito do município, como aprendi na escola. Ou em casa, porque meu pai era professor e as aulas dele continuavam dentro de casa. A primeiraContinuar lendo “MEMÓRIAS DE SÃO CHICO”
Rubem Fonseca: um nome para não esquecer
Numa entrevista que dei pouco mais de trinta anos atrás, e que foi publicada pelo Instituto Estadual do Livro, na série Autores Gaúchos, fiz esta afirmação: “Para mim, Rubem Fonseca é o maior escritor brasileiro atual. Ele é o que realmente está com uma linguagem moderna”. Em minhas aulas sobre literatura brasileira – invoco osContinuar lendo “Rubem Fonseca: um nome para não esquecer”
COBERTA DA ALMA
Quem leu minha novela O Caso da Caçada de Perdiz, ambientada nos Campos de Cima da Serra, deve ter ficado se perguntando de onde saiu a cena em que Pasúbio é aconselhado por Nhá Inácia a fazer uma “coberta d’alma”. A cena é a seguinte: Nhá Inácia acha que a alma do morto no crimeContinuar lendo “COBERTA DA ALMA”
A velhice e as relações de poder
Na semana passada citei Norberto Bobbio, o grande jurista e filósofo do Piemonte. Volto a ele, para abordar um assunto que certamente interessa a todos os que estamos no “grupo de risco” e, portanto, em rígida quarentena… E que pode interessar aos que cuidam carinhosamente de nós. Bobbio escreveu aos 85 anos um livro comContinuar lendo “A velhice e as relações de poder”
A arte do queijo
Nestes tempos de retiro geral, uma compulsão quase incontrolável é a de escarafunchar o fundo do baú. Até a televisão está fazendo isso, com filmes, grupos musicais, jogos de futebol e outros feitos trazidos à tona da memória. A minha compulsão é a de mexer com antigos escritos, e confesso que até eu mesmo meContinuar lendo “A arte do queijo”
O berço
O berço é o início do mistério, obscura madrugada em que lançamos raízes fortes. Fortes? O berço é o início do mistério. Se as longas mãos de Deus não o houvessem feito, o mundo e suas coisas ficariam obtusas absurdas como os brinquedos de um menino que não veio. (1958)
Ofício
Há uma página branca que o poeta deve preencher. Se ele não o fizer, a página ficará branca eternamente. Alguns morrerão talvez por causa disso, outras não nascerão por causa do silêncio do que viu as coisas apesar da noite e não as quis revelar. Por isso vês o poeta à noite atarefado semeando caracteresContinuar lendo “Ofício”
Poema sobre o mundo
O mundo é um imenso quiosque onde há um tablado para chorar e dançar e onde se vendem habitualmente jornais espantosos bebidas cigarros e brinquedinhos para os medrosos se entreterem. O mundo é um quiosque onde o tédio voluteia. Ao seu redor as meninas dão-se as mãos riem e cantam: a casa de bambu coberta de bambuá uá uá uá Continuar lendo “Poema sobre o mundo”