Quando o, na época, assim chamado esporte bretão invadiu o Brasil, junto com ele o país foi inundado por uma enxurrada de palavras inglesas. Os jornais e os speakers de rádio (hoje chamados de locutores) falavam em penalty, center-forward, referee. Umas dessas palavras, com o tempo, simplesmente se aportuguesaram, como pênalti, córner, beque e aContinuar lendo “DÁBLIU E DOBRE VÊ”
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A MÁQUINA DE HEMODIÁLISE
Esta é uma historinha contada por Clifford Geertz, um antropólogo que influenciou todas as ciências do homem, pelo menos nos últimos 30 anos, e uma inteligência de que a espécie humana pode se orgulhar. Ninguém como ele pensou a questão das diferenças culturais, como “conhecedor por excelência das mentalidades alheias”, na definição que ele mesmoContinuar lendo “A MÁQUINA DE HEMODIÁLISE”
O TREM DO PAPAI NOEL
Faltava só uma semana para o Natal. Papai Noel tinha recebido encomendas do mundo inteiro, do Polo Norte até o Polo Sul: eram pedidos de bonecas, de carros, de roupas, de livros, de sapatos e muita coisa mais. Papai Noel já tinha conferido na sua lista esses pedidos, para ver quais vinham de crianças bemContinuar lendo “O TREM DO PAPAI NOEL”
UM OLHAR CARINHOSO
A República, no Brasil, sempre tratou o Império, e a memória do Império, não apenas com maus modos, mas também com maus bofes. É como se o estouvamento fosse necessário para ser republicano, como o refinamento era a marca do gosto imperial. Esse contraste está num poema de Murilo Mendes, quando ele imagina aContinuar lendo “UM OLHAR CARINHOSO”
ONDE ESTÃO AS HISTÓRIAS
Na primeira vez em que me encontrei com Ignácio de Loyola Brandão, perguntei se ele era mineiro. É claro que se eu prestasse atenção nas orelhas de seus livros, não faria a pergunta. Mas, sei lá por que razão, seus romances sempre me passaram a impressão de haver neles um olhar mineiro, pousado sobre osContinuar lendo “ONDE ESTÃO AS HISTÓRIAS”
O QUE É SÓLIDO DESMANCHA
“Tudo o que é sólido desmancha no ar”. Essa frase do Manifesto Comunista de 1848 dava idéia de como Marx e Engels estavam espantados com as mudanças que começavam a ser introduzidas pela modernidade. Uma frase mais profética do que real: o mundo estava ainda muito sólido naquele ano do Manifesto. Um século e meioContinuar lendo “O QUE É SÓLIDO DESMANCHA”
O LEITOR INOCENTE
Umberto Eco queixou-se uma vez de que a maioria dos leitores de O nome da rosa, seu romance de maior sucesso, não entendeu o que ele queria. Muitos leram como uma divertida investigação de uma série de crimes num sombrio convento na Idade Média. Outros se incomodaram com a visível crítica a certas posições dogmáticasContinuar lendo “O LEITOR INOCENTE”
O FUTURO E O PORVIR
Futuro e porvir são duas palavras que os dicionários dão como sinônimas. Quem lida um pouco com elas vê uma certa diferença: porvir não é para ser usada a toda hora. Ela significa futuro, mas em traje social, exige uma oportunidade especial para ser usada. Outro dia andei lendo um autor que faz umaContinuar lendo “O FUTURO E O PORVIR”
O ELOGIO DO ÓCIO
Há nas livrarias uma coleção de ensaios de Bertrand Russell, com o estapafúrdio título de “O Elogio ao Ócio”. O livro de Erasmo, desde a renascença, é publicado com o nome de “Elogio da Loucura”. E um de Norberto Bobbio circula em português com o título correto de “Elogio da Serenidade”. O tradutor, o editorContinuar lendo “O ELOGIO DO ÓCIO”
ÉTICA E POLÍTICA
Essas duas palavras, postas lado a lado, soltam faísca. É como se ética e política fossem dois pólos, um de corrente positiva e outro de corrente negativa. Por isso todo cuidado é pouco quando se quer saber que relações existem, ou devem existir, entre as duas. Principalmente quando se deseja evitar outros dois pólos opostosContinuar lendo “ÉTICA E POLÍTICA”