Não faço segredo para ninguém de que Norberto Bobbio é um dos meus mestres prediletos. A clareza e o delineamento fino com que trabalha os conceitos são um alívio para a inteligência. Seu trabalho principal centrou-se no exame dos conceitos sobre política, uma das atividades humanas em que a relação entre instinto e inteligência viveContinuar lendo “Sobre a serenidade”
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O PASSARIM
Um dia um passarinho, que se chamava Passarim, estava voando distraído. Sei lá no que é que ele estava pensando. Devia estar com a cabeça nas nuvens. De repente, do meio das nuvens, veio um ronco horroroso. Mais ou menos assim: vvvvrrrruuuummmm!!!! Mas muito mais forte. Passarim pensou logo na bruxa, voando com a suaContinuar lendo “O PASSARIM”
UMA NOVA ERA
Meus primeiros poemas e contos, quando ainda adolescente, escrevi com caneta tinteiro: a “Parker 51”, que era um avanço sem tamanho. Antes dela, era preciso ter a caneta e o tinteiro, cuidando para não pingar nem derramar, que foi o que usei na escola primária e no ginásio. Quando tive o primeiro salário, o mundoContinuar lendo “UMA NOVA ERA”
O JACARÉ NO PARQUE
O JACARÉ DA LAGOA – PARTE 2 Um dia o homem notou que o jacaré andava meio aborrecido. Ele se enfiava embaixo da cama e ficava ali, de olhos tristes. Nem quando o homem chegava com uma cesta de ovos bem fresquinhos o jacaré saia do seu canto. Devia estar com saudades da lagoa. OContinuar lendo “O JACARÉ NO PARQUE”
O JACARÉ DA LAGOA
Era uma vez um jacaré que morava na lagoa. Perto da lagoa morava um homem. Cada vez que o homem ia nadar na lagoa o jacaré batia com o rabo na água e fazia: Nhaque! Nhaque! Nhaque! Aí o homem saía correndo, morto de susto. E dizia: – Deixa estar, jacaré. Um dia a lagoaContinuar lendo “O JACARÉ DA LAGOA”
O DECAMERÃO
Impossível, nesta época de fuga de contágios, não vir à tona da memória a obra imortal de Giovanni Boccaccio, o Decamerone, que na tradução para o português se chama O Decamerão. Ela teve tanta força na literatura italiana que foi apelidada de “Comédia Humana”, para colocá-la no mesmo pedestal da “Divina Comédia” de Dante Alighieri. Continuar lendo “O DECAMERÃO”
Desejo
Eu quisera, Amor, que chegasses qual um pobre cheia do pó das estradas para poder te servir. Eu quisera que viesses como o sol da manhã e eu abrindo a janela te convidaria a entrar. Eu quisera que viesses suave e simples como as águas. E tu vens como um vendaval. (1957)
Tanto mundo
Tanto mundo e tão pouca vida. Tanto mundo e eu tão curto. Meu Deus em não compreendo porque um tão grande mundo que nunca irei conhecer. Tanto mundo, e eu tão pouco. (1957)
Marcos e o barco
Marcos voltou com seu barco após dias perdidos no bojo do mar. E sentado chorava o vazio samburá. A brisa marinha afaga o seu rosto: Marcos, por que chorar? Teu trabalho foi ganho teu gesto fez o mar. Mansamente veio a noite e já não parecia tão sombrio o pescador tão vazio o samburá. Continuar lendo “Marcos e o barco”
Elegia branca
Esta foi a primeira e a última rua da minha vida, a rua em que passou silencioso o esquife daquela criança vestida de branco e alegre e que eu chamava minha irmã. Foi a única rua que eu vivi. (1957)