Comecei a conhecer a importância dada a São Martinho – San Martino, em italiano; Saint-Martin, em francês – com as pesquisas para escrever o romance A Cocanha, com o foco central na saída dos imigrantes da Itália para o Brasil. Acontece que na Itália o dia de São Martinho, a 11 de novembro, era a data em que os proprietáriosContinuar lendo “O burro de São Martinho”
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PAI DA NOIVA
Agora me dou conta. Em todas as vezes que presenciei uma festa de casamento, nunca prestei atenção no pai da noiva. Nem eu, nem ninguém. Quando ele entra pela nave da igreja, com música solene ecoando nos vitrais (se houver vitrais), não se percebe que ele entrou. Não é para ele a música, nem aContinuar lendo “PAI DA NOIVA”
Invenção de Orfeu: um ‘pot-pourri’
Pot-pourri é como os franceses designam uma miscelânea de estilos, seja no campo da música, seja no da literatura e de outras artes. O livro Invenção de Orfeu, do poeta alagoano Jorge de Lima, publicado em 1952, cabe perfeitamente dentro dessa rubrica. Meu primeiro contato com essa obra aconteceu bem cedo, dois anos depois de ela ser editada.Continuar lendo “Invenção de Orfeu: um ‘pot-pourri’”
A Páscoa e seus símbolos
Os estudos de antropologia histórica têm mostrado que a Igreja, à medida em que catequizava os mais diversos povos e etnias, levava a eles seus ritos e símbolos. Mas também ia incorporando à sua liturgia ritos e símbolos enraizados em cada cultura. Os dois eventos cristãos mais marcantes, o Natal e a Páscoa, foram também os dois que maisContinuar lendo “A Páscoa e seus símbolos”
O beco de Manuel Bandeira
Para ninguém confundir essa palavra com seu sentido em italiano, ou em talian, beco aqui significa “rua estreita e curta, às vezes sem saída”, como sentencia o Dicionário Houaiss. Pois Manuel Bandeira tornou famoso um beco da Lapa, no Rio de Janeiro, com dois poemas: Poema do Beco, publicado no livro Estrela da Manhã, em 1936, com uma tiragem de 47 exemplares, e Última Canção doContinuar lendo “O beco de Manuel Bandeira”
Andanças de Thales de Azevedo
Nos cadernos de pesquisa do antropólogo baiano Thales de Azevedo – que já apresentei AQUI – há o registro de vários lugares por ele visitados, não só nas cidades, mas também nas colônias da região de imigração italiana da Serra Gaúcha. Uma dessas andanças, em fevereiro de 1955, foi em Conceição da Linha Feijó, que na época era chamada apenasContinuar lendo “Andanças de Thales de Azevedo”
COZINHA E FOGÃO
Quando saímos, minha mulher e eu, a comprar nosso primeiro apartamento – ninguém está livre desse tipo de sonho – encontramos este em que estamos morando até hoje, numa relação de absoluta fidelidade dele conosco e nossa com ele. Foi um desses casos raros de amor à primeira vista que continuam pelo resto da vida.Continuar lendo “COZINHA E FOGÃO”
A verdadeira Gioconda. Ou não?
O tema da escravidão parece que não quer sair de cena. Até o jornal italiano Corriere della Sera, no dia 14 de março, nesta semana, publicou uma matéria no mínimo espantosa, assinada por Pierluigi Panza, com a seguinte manchete: “Descoberta a identidade da mãe de Leonardo da Vinci: se chamava Caterina, era uma circassiana feita escrava” Essa extraordináriaContinuar lendo “A verdadeira Gioconda. Ou não?”
O garfo da Forqueta
Um dos mistérios que demorei a decifrar, quando cheguei em Caxias do Sul para fazer meus estudos, foi o do significado de Forqueta, nome de um lugar que volta e meia aparecia nas conversas com os colegas. Nenhum deles sabia de onde vinha esse nome. Eu imaginei que seria um diminutivo de “forca”, aquele instrumento que executou Tiradentes. MasContinuar lendo “O garfo da Forqueta”
O Tesouro de Thales de Azevedo
Faltando pouco mais de um ano para a celebração dos 150 anos da chegada dos primeiros imigrantes italianos na Serra Gaúcha, é inevitável que fatos, situações e figuras históricas comecem a emergir com toda sua força na memória. A primeira figura que me veio à mente foi a do antropólogo baiano Thales de Azevedo (1904-1995), que manteve estreitaContinuar lendo “O Tesouro de Thales de Azevedo”