Nas muitas vezes em que fui convidado a falar sobre a construção de meu romance O Quatrilho, em eventos escolares, uma pergunta era fatal: o que tinha acontecido com o casal que foi embora. Minha resposta era sempre a mesma: isso ficava para outro romance. De fato, no romance A Babilônia, o personagem Lourenço visita a casa de Teresa eContinuar lendo “Tramas de oficina”
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Preciosidades dos sebos
Acho que não surpreendo ninguém se contar que sou, ou era, um assíduo freguês dos sebos, que é como se chamam no Brasil as livrarias de livros usados. Hoje essa modalidade de compra tomou também o caminho do acesso virtual. Mas guardo ainda algumas preciosidades com a marca indelével de tempos idos. Uma delas é o livro AContinuar lendo “Preciosidades dos sebos”
O poeta do “Cântico das Criaturas”
Quando saí de São Francisco de Paula para entrar no Seminário Menor em Caxias do Sul, deparei com outro São Francisco: o de Assis. Ocorre que o Seminário era na época dirigido pela ordem dos Capuchinhos, e o dia de São Francisco de Assis, a 4 de outubro, era a data mais festejada do ano, comContinuar lendo “O poeta do “Cântico das Criaturas””
O tempo para a leitura
Agora que começa a acontecer a 38ª Feira do Livro de Caxias do Sul, com o slogan de que Tudo é Leitura, pode ser interessante ler também um pouco do passado. Talvez nem todos saibam que a primeira Feira do Livro do mundo foi realizada em Frankfurt, na Alemanha, em 1947. E que ela aconteceu pouco tempo depois da derrotaContinuar lendo “O tempo para a leitura”
O inspirador do Padre Giobbe
Quando programei escrever a minha trilogia de romances sobre a imigração italiana na Serra Gaúcha, saí à procura de uma figura que deixasse bem à mostra o papel da Igreja no processo histórico e cultural das colônias. Essa figura deveria ser um padre, mas um padre capaz de mergulhar bem fundo na mentalidade do imigrante que chegava,Continuar lendo “O inspirador do Padre Giobbe”
Paglioli e os falantes de ‘hunsrückish”
Nas colônias de imigração alemã, em todo o sul do Brasil, e também no Espírito Santo, era falado um dialeto alemão com forte influência do português, fenômeno linguístico semelhante ao que deu origem ao Talian nas colônias italianas. Como o Talian, também a língua das colônias alemãs foi reconhecida pelo Iphan como patrimônio das línguas de imigração, com oContinuar lendo “Paglioli e os falantes de ‘hunsrückish””
Lygia Fagundes Telles e suas meninas
Esta semana ficou marcada com a morte, também, de Lygia Fagundes Telles, que ganhou o epíteto de “a dama da literatura brasileira”. Nascida a 19 de abril de 1923, em São Paulo, quase se tornou centenária. Faleceu dia 3 de abril, em casa, de causas naturais, segundo o noticiário. Sempre coloquei essa escritora no pedestal mais altoContinuar lendo “Lygia Fagundes Telles e suas meninas”
Casos para proveito do papel
Francisco Paglioli, aqui apresentado na crônica anterior, depois de escritas dezesseis páginas em seu caderno de memórias, conclui: “Teria muitas coisas mais para contar, mas como são de pouca importância faço ponto final”. E acrescenta a data, 10-5-42, seguida das iniciais F.P. Mas, ainda na mesma página dezesseis, emenda: “Passemos a contar algum caso paraContinuar lendo “Casos para proveito do papel”
Construir um poema é montar palavras
João Cabral de Melo Neto, em sua “Psicologia da Composição”, que estamos lendo, escreveu no poema de número VII: É mineral o papel onde escrever o verso; o verso que é possível não fazer. […] É mineral, por fim, qualquer livro; que é mineral a palavra escrita, a fria natureza da palavra escrita. Então, para quemContinuar lendo “Construir um poema é montar palavras”
A psicologia da composição
Para darmos prosseguimento ao modo de João Cabral de Melo Neto encarar a poesia, vamos ler o poema “Psicologia da composição”, publicado no livro com o mesmo título, em 1947. O livro todo é uma meditação sobre o papel da poesia. Este poema, em particular, divide-se em oito partes. Na primeira, João Cabral começa assim: SaioContinuar lendo “A psicologia da composição”