Se beber, não dirija!

Relendo as poesias dispersas de Joaquim Maria Machado de Assis, dei de frente com um poema exaltando o conhaque. Na época, em 1856, ainda se escrevia com a grafia francesa. No título, Machado acrescentou à palavra um ponto de exclamação seguido de reticências, para dar destaque e deixar suspeitas em aberto. Ficou assim: COGNAC!… Quando escreveu oContinuar lendo “Se beber, não dirija!”

EPIGRAMAS (1962)

Da chatitude  Chato chato chato  tábua, cachorro esmagado,  barata metida em fresta  sem relevo, chato inteiramente  lâmina estendida no chão  quadro sem pintura  papel sem inscrição  tapete posto ao comprido  chato e raso e plano  lagoa de água parada  espelho embaciado e cego  prego mil vezes batido  parede nua, o chato  essência e essencial. 

Sentimento da noite

Fechar a casa é fechar a vida   de um dia. A noite é inconveniente.  Permaneçamos pois fora dela   as pudicas janelas fechadas   a porta bem trancada. Não venha  o ladrão nos roubar o sono.  Ao redor da lâmpada acesa   o nosso mundo construamos.  A conversa disfarce o medo,   defendamos nossa paz.  Como meninos espantados   façamos históriasContinuar lendo “Sentimento da noite”

As muletas

Além (e) aquém (e) dentro (e) fora  ao redor (e) sobre e toc e toc  vão as muletas de meu verso  tateando pelos espaços, tudo  buscando situar. Amarei mais  sabendo como um topógrafo  o local preciso das coisas  no giroscópio do universo?  Mas como despegar-me das muletas   sem tombar paralítico,  com a nebulosa silabação  dos guardadores de estrelas? Continuar lendo “As muletas”

A chave e a mão

Tem a palmeira a chave de si mesma?  Sabe o pássaro onde a sua porta?  Em que pedra ou caverna   deverei cavar minha chave?  Enquanto apenas conjeturo   vou batendo em portas fechadas  com seu mistério particular:  o dente cravado na gengiva  o azul de certos olhos  o grosso cimento de tua casa  as verdes batatasContinuar lendo “A chave e a mão”

OS QUE NÃO RIEM

Foi Rabelais, o criador de Pantagruel, quem reabilitou o riso na cultura ocidental. Durante a Idade Média não se ria, o riso era considerado sinal de estupidez: de estultícia, como se escrevia na época. Rabelais, na contramão da Igreja e dos barões feudais, afirmou que “rir é humano”, expressão que entrou para a fala deContinuar lendo “OS QUE NÃO RIEM”

Crie um site como este com o WordPress.com
Comece agora