Emoção à flor da pele

Um assunto que pode cair no cliché com muita facilidade é emoção. Mas não creio que qualquer escritor se importe com isso. Eu não me importo. E é o que trago aqui: a emoção que fica à flor da pele ao se experimentar algo novo.

Sim. Novas experiências. E um exemplo é o que eu vivi este ano. Gosto de futebol, em especial se relacionado ao meu time do coração. Não que eu entenda muito sobre futebol, mas vivo o futebol que está próximo de mim. Ver, pela televisão, o seu time jogando o melhor que os jogadores conseguem no campeonato, e vencendo, não tem preço. A satisfação é garantida.

De outra feita, mas também pela telinha, ver o seu time amado jogando tudo o que pode, com garra, mas perdendo, não há o que esconda a desolação. Aí, eu, torcedor, assim como tantos outros, precisamos desabafar: o jogador Fulano não jogou bem, ou o técnico Beltrano não soube conduzir as orientações e substituições para a partida, ou (bem mais comum) o árbitro jogou junto com o adversário.

Mas o que eu aprendi este ano é que a emoção que está à flor da pele ao assistir a um jogo à distância, mesmo que não se possa negar que seja realmente intensa, não se compara à emoção que vem de dentro e que aparece no pelo arrepiado dos braços, nos dentes trincados, no pescoço rígido daquele que tem a satisfação de estar no estádio durante o jogo. E, nessa questão, é preciso ponderar sobre um aspecto: por quê?

Bom, vamos à reflexão: na telinha de casa (ou da casa de um amigo), estamos sós ou com poucos amigos e familiares reunidos; no campo, a energia acumulada é de milhares de torcedores. Em casa, na hora da dúvida, a equipe de televisão se encarrega de colocar o replay do acontecido; no estádio, a fração de segundo acontece e não tem retorno; é preciso conversar com o torcedor vizinho: “você viu isso? Está certo mesmo?” E realmente acreditamos que jogadores, técnicos e árbitros conseguem nos ouvir: uma reclamação enfática no nosso lar vira uma estrondosa manifestação coletiva uníssona.

E como é bom saber que tantos têm a mesma opinião que nós! A adrenalina já sobe estando na expectativa do jogo no nosso lar, mas ela explode com o aglomerado unido com o objetivo comum de gritar: “vai, Cicrano! É a sua chance! Corre!”

Fora que, no ambiente nativo do futebol, na arena, podemos extravasar sentimentos que, em casa, às vezes, precisam ser reprimidos: ou porque o vizinho não aceita barulho, então não podemos pular, ou porque a bebê da outra vizinha está dormindo, então não podemos gritar, ou ainda porque a mãe ou a avó não aceitam que se diga palavrão, e então ele fica contido e sufocando na garganta. Em casa, temos uma experiência ideal; no estádio, temos a experiência vívida, flamante, repleta de defeitos, mas que lava a alma.

É preciso sempre experimentar novas situações. E ir ao estádio nunca será uma experiência já vivida: a cada vez que chegamos lá, a escalação do time é diferente, os torcedores reunidos não são os mesmos, o assento para assistir ao jogo será outro, a visão das jogadas será novidade. Diferente do jogo transmitido para nossas casas, que obedece à visão da câmera (em geral instalada e transmitindo do mesmo lugar do campo) e ainda conta com a interferência do comentarista.

Assim, fica o convite: vamos escolher viver novas experiências para poder sempre falar de emoção? Conto com vocês!

Maria Helena Menegotto Pozenato

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