Ela é um exemplo de pessoa. Sabe aquela companhia que sempre te recebe bem, com carinho, e quer te ver apreciando a vida, não importa o quê? Essa é a Brownie. Tem nome estrangeiro, mas é bem brasileira. Não reclama do tipo de comida, mas esse é um item que não pode faltar. Boa de garfo!
E exigente com a limpeza. Capricha nos banhos diários e não aceita usar o banheiro sujo. É justo, não? Quem, em sã consciência, gosta de estar em um lugar sujo? Ainda mais quando o assunto é tão particular.
Mas, afora a questão da limpeza, não exige muito. Diverte-se com pouco. Caro, mesmo, é o salão de beleza. Ah, como ela fica bonita depois de uma escova! Só não dá para pagar todas as vezes. Em muitos momentos, vale o tratamento caseiro de beleza: banho pessoal caprichado e o carinho da família para pentear.
Brownie adora uma brincadeira. É especialista com bolas. Futebol tem se mostrado um esporte em que se diferencia. E adora assistir a uma partida na televisão. Às vezes, até se confunde e acha que consegue pegar a bola na tela. Isso! É que ela tem só cinco anos, por isso a confusão…
Outra brincadeira que a diverte muito é o pega-pega. Mas ela não pode ser a vítima: é sempre a pegadora. Gênio difícil tem a Brownie! E, apesar disso, conviver com ela é muito prazeroso. Ninguém pensa em reclamar de seu comportamento.
Além disso, tem o esconde-esconde. Quando o humor troca, Brownie se esconde em lugares que, não fosse a criatividade dela, ninguém chegaria a pensar. E ela ganha o jogo quase sempre! Difícil encontrar a madame, quando ela quer “desaparecer” para vencer a brincadeira.
E, assim como todos, ela tem seu amigo inseparável e favorito: o BFF da Brownie é o José Guilherme. Brincam juntos horas a fio! Mesmo que José Guilherme seja mais velho, pois já vem chegando perto dos 15 anos, e nem tenha nome importado. Quando o adolescente para um pouco para descansar, lá vem ela, a mocinha, solicitando novas brincadeiras. E o rapazote lhe faz todas as vontades.
Nem sempre a recíproca é verdadeira. Há momentos em que a vontade de brincar parte do José Guilherme, que chama a Brownie. Mas, se o humor não está bom ou se ela acha que já brincou demais, ignora o chamado e fica no seu canto. Parece testar a paciência e a resiliência daqueles que ela tem adorado ter por perto. “Daqueles”, sim, no plural. Porque, quando o José Guilherme está na escola, vale a amizade de quem estiver ao redor para lhe fazer as vontades de servir comida, servir água, brincar, garantir o banheiro limpo. Mas só se o moço BFF não estiver em casa; se ele estiver, só vale a ajuda desse coração gigante de manteiga.
E pensar que a Brownie veio para alegrar um ambiente que vinha se envolvendo em tristeza. Quando chegou, José Guilherme e a vó haviam perdido duas figuras muito importantes: o querido avô e marido e a Lisi, a outra gatinha da casa que era mais um exemplo de pessoa. Sim. Brownie é a gatinha da casa da vó. Segundo o José Guilherme, Lisi se foi, porque o avô precisava de companhia. E, segundo a vó, Brownie chegou por recomendação da Lisi, que sabia que a casa vazia seria uma tristeza só.
Maria Helena Menegotto Pozenato