Casa de chão

Nossos vizinhos mais próximos em Santa Teresa, na descida de um morro entre as duas casas, eram o seu Felicício e a dona Angerca. Isso na pronúncia com que eram tratados. Na realidade, em português padrão, eram eles o seu Felício e a dona Angélica. Seu Felicício trabalhava numa serraria ali perto. Dona Angerca cuidava da casa,Continuar lendo “Casa de chão”

Era de certezas e incertezas

Neste tempo de incertezas, anda todo o mundo em busca de alguma certeza. Dentro da pandemia o grau é mais agudo, mas essa é uma situação de que a humanidade nunca conseguiu fugir: o que vai acontecer no futuro é uma pergunta feita o tempo todo. É dela que surgem os adivinhos, os profetas, osContinuar lendo “Era de certezas e incertezas”

Um mundo branco de neve

O mundo inteiro já sabe que nasci em São Francisco de Paula, num lugarejo chamado Santa Teresa, no então distrito de Tainhas, onde foi lavrada minha certidão de nascimento. Tainhas era o quarto distrito do município, como aprendi na escola. Ou em casa, porque meu pai era professor do ensino primário e as aulas dele continuavam dentroContinuar lendo “Um mundo branco de neve”

A Babel da língua universal

No meu tempo de ginasiano, a língua incluída no currículo, por ser considerada universal, era a Língua Francesa. Fiz tantas leituras e estudos em francês que ele terminou por ser minha segunda língua. A ponto de receber de um professor da Universidade de Marselha este comentário, que até hoje não sei se era elogioso: “Vous parlez unContinuar lendo “A Babel da língua universal”

Da cultura eslava à cultura latina

Uma das cidades que mais gostei de conhecer foi Bucareste, a capital da Romênia. O nome Bucareste tem origem eslava, e significa “lugar alegre” na primitiva língua local. Algo parecido com o nome do nosso “Alegrete”. E o país se chamava Dácia, antes de o imperador Trajano o ter incorporado como província romana, em 104 d.C.,Continuar lendo “Da cultura eslava à cultura latina”

Passagem de peões em Lisboa

Em minha primeira estada em Lisboa, dei-me conta de que precisava aprender outra língua para circular na cidade. O bonde é chamado de trem, e o trem se chama comboio. No ponto em que pedestres podem cruzar a rua, uma placa informa: “Passagem de Peões”. A camiseta dos jogadores do Benfica se chama camisola, e porContinuar lendo “Passagem de peões em Lisboa”

Dois invernos bem diferentes

O poeta Jorge de Lima, alagoano, autor do monumento épico-lírico intitulado Invenção de Orfeu, escreveu um poema sobre o inverno. O inverno que ele avistava mudando as cores da Serra da Barriga, para a qual escreveu também versos saudosos: “Serra da Barriga! Te vejo da casa em que nasci.” Seu poema sobre o inverno nordestino, onde a neveContinuar lendo “Dois invernos bem diferentes”

A cerração e suas evocações

A cerração que cobriu a Serra na segunda-feira de manhã, embrulhando a cidade de Caxias do Sul no seu véu úmido, me trouxe um rol de evocações. A primeira, e não podia deixar de ser, foi a da minha infância em São Francisco de Paula. Nossa casa ficava na Boca da Serra, como se dizia, e quando chegavaContinuar lendo “A cerração e suas evocações”

Transmissão do TALIAN pelas três últimas gerações

Uma pergunta que me foi feita por estes dias foi esta: “Os descendentes dos imigrantes continuam a transmitir o Talian dentro de suas famílias?” Trata-se, sem dúvida, de uma pergunta chave dentro de uma política de preservação da língua como signo de identidade cultural. Como resposta a ela, há um estudo feito pelo jornalista Tales Giovani Armiliato para suaContinuar lendo “Transmissão do TALIAN pelas três últimas gerações”

Inventário do TALIAN: um pouco de história

O interesse pelo resgate do Talian, a língua comum criada nas regiões de imigração italiana, foi reativado por ocasião da celebração do centenário da imigração, ocorrido em 1975. A Universidade de Caxias do Sul criou um instituto de pesquisas, com a parceria da Universidade de Veneza. E um dos temas desenvolvidos foi o estudo dos dialetosContinuar lendo “Inventário do TALIAN: um pouco de história”

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