A colônia de Santa Teresa, onde nasci, esgotou suas terras à venda. Mas, como o projeto de atrair agricultores dera bons resultados, a Prefeitura de São Chico o expandiu para o lado do Arroio Goiabeira, que tinha às suas margens terras férteis e de futuro. Nesse local foi erguida a capela de São Roque e, atrásContinuar lendo “Aprendizados em São Roque da Goiabeira”
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Amigo à primeira vista
Neste momento em que o Brasil lamenta a despedida de Paulo José, figura marcante do teatro e da narrativa visual no cinema e na televisão, não posso me furtar de trazer à lembrança algumas passagens que vivemos juntos. Tudo aconteceu quando ele dirigiu a gravação de O Caso do Martelo para a TV Globo, em maio de 1991. EleContinuar lendo “Amigo à primeira vista”
Os parentes bem longe
Uma carência na minha infância – que eu sentia como carência – era a de não conhecer de perto os parentes da família a não ser, é claro, meus irmãos e irmãs. Não conheci avós, com exceção do vovô Guilherme, nem tios, nem primos. Acontece que meus pais, assim que se casaram no município deContinuar lendo “Os parentes bem longe”
Afinidades sempre existem
Quando meu romance O Quatrilho atravessou o Oceano Atlântico, um crítico português o elogiou, comparando-o, na forma e no tema, com os do escritor italiano Cesare Pavese, nascido em 1908. Obra e autor que eu nunca havia lido. A partir daí fui à sua procura e, de fato, encontrei vários pontos de afinidade com ele. Também ele fezContinuar lendo “Afinidades sempre existem”
À cozinha de minha mãe
É crença comum de que não existe lembrança mais persistente do que a dos “sabores de infância”. Sabores no sentido literal, ou bucal. Aqueles que ficam registrados para sempre no aparelho gustativo. Aparelho cheio de truques e segredos, como aprendi de um sommelier, porque nele convergem todos os sentidos do corpo, mais a imaginação e aContinuar lendo “À cozinha de minha mãe”
O cavalo branco na memória
No primeiro livro de poesia de que participei, livro a que demos o título de Matrícula, compareço com um poema sobre o cavalo, com este desejo: “Ah, não ser eu como o cavalo, não ter um mundo sereno em que me detenha tranquilo e paste em segurança.” A figura do cavalo retorna em todos meus livrosContinuar lendo “O cavalo branco na memória”
A relação entre o autor e o leitor
Antonio Candido (1918-2017) foi, e continua sendo, um mestre insubstituível para quem quer conhecer a fundo a literatura no Brasil. Sua obra fundamental, e insubstituível, é Formação da literatura brasileira – Momentos decisivos, em dois volumes. De uma honestidade também exemplar, diz ele ao leitor, no prefácio do primeiro volume: “Este livro foi preparado e redigido entreContinuar lendo “A relação entre o autor e o leitor”
Casa de chão
Nossos vizinhos mais próximos em Santa Teresa, na descida de um morro entre as duas casas, eram o seu Felicício e a dona Angerca. Isso na pronúncia com que eram tratados. Na realidade, em português padrão, eram eles o seu Felício e a dona Angélica. Seu Felicício trabalhava numa serraria ali perto. Dona Angerca cuidava da casa,Continuar lendo “Casa de chão”
Era de certezas e incertezas
Neste tempo de incertezas, anda todo o mundo em busca de alguma certeza. Dentro da pandemia o grau é mais agudo, mas essa é uma situação de que a humanidade nunca conseguiu fugir: o que vai acontecer no futuro é uma pergunta feita o tempo todo. É dela que surgem os adivinhos, os profetas, osContinuar lendo “Era de certezas e incertezas”
Um mundo branco de neve
O mundo inteiro já sabe que nasci em São Francisco de Paula, num lugarejo chamado Santa Teresa, no então distrito de Tainhas, onde foi lavrada minha certidão de nascimento. Tainhas era o quarto distrito do município, como aprendi na escola. Ou em casa, porque meu pai era professor do ensino primário e as aulas dele continuavam dentroContinuar lendo “Um mundo branco de neve”