Sentimento da noite

Fechar a casa é fechar a vida   de um dia. A noite é inconveniente.  Permaneçamos pois fora dela   as pudicas janelas fechadas   a porta bem trancada. Não venha  o ladrão nos roubar o sono.  Ao redor da lâmpada acesa   o nosso mundo construamos.  A conversa disfarce o medo,   defendamos nossa paz.  Como meninos espantados   façamos históriasContinuar lendo “Sentimento da noite”

As muletas

Além (e) aquém (e) dentro (e) fora  ao redor (e) sobre e toc e toc  vão as muletas de meu verso  tateando pelos espaços, tudo  buscando situar. Amarei mais  sabendo como um topógrafo  o local preciso das coisas  no giroscópio do universo?  Mas como despegar-me das muletas   sem tombar paralítico,  com a nebulosa silabação  dos guardadores de estrelas? Continuar lendo “As muletas”

A chave e a mão

Tem a palmeira a chave de si mesma?  Sabe o pássaro onde a sua porta?  Em que pedra ou caverna   deverei cavar minha chave?  Enquanto apenas conjeturo   vou batendo em portas fechadas  com seu mistério particular:  o dente cravado na gengiva  o azul de certos olhos  o grosso cimento de tua casa  as verdes batatasContinuar lendo “A chave e a mão”

OS QUE NÃO RIEM

Foi Rabelais, o criador de Pantagruel, quem reabilitou o riso na cultura ocidental. Durante a Idade Média não se ria, o riso era considerado sinal de estupidez: de estultícia, como se escrevia na época. Rabelais, na contramão da Igreja e dos barões feudais, afirmou que “rir é humano”, expressão que entrou para a fala deContinuar lendo “OS QUE NÃO RIEM”

MEMÓRIAS DE SÃO CHICO 8

– OS ANIMAIS AO REDOR – Não é possível trazer à tona as memórias de minha infância, sem falar dos animais que nos rodeavam. Um item que exige um pouco de método para não parecer uma babel, pois eram muitas as espécies.  Começo pelos animais domésticos, na nossa casa e na casa dos vizinhos.  EmContinuar lendo “MEMÓRIAS DE SÃO CHICO 8”

Catarse: uma saída no confinamento

Começo com uma historieta engraçada, mas baseada em fatos reais, como é de bom tom avisar o leitor. Nos anos 70, meu colega de profissão e de poesia, Ary Nicodemos Trentin, de saudosa memória, ministrava a disciplina de Teoria da Literatura, no curso de Letras da UCS. Num intervalo das aulas, quando os professores se encontravamContinuar lendo “Catarse: uma saída no confinamento”

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