Ser apenas joão pedro antônio da rosa que mora entre latas velhas e não teve nenhum vislumbre de vir a ser mais limpo mais rico mais mundial que nunca pensou em ser João Pedro Antônio da Rosa o habitante da terra. (1956)
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Alegria
Essa luz anêmica de sol filtrado só é boa para tristeza. Quero é a explosão de luz de um sol na minha sala um sol valente e nu como um gladiador. (1956)
Poema do Outro
O vento levantou-se de manhã vestiu-se todo de azul pôs um botão de sol a passear pela roupa e saiu devagarinho sorrindo para todos. Entrou no jardim sem passar pelo portão derrubou uma porção de gotas de orvalho pisando por tudo enquanto nos canteiros as florinhas se inclinando: – Bom dia, senhor vento! Como vai?Continuar lendo “Poema do Outro”
SONETOS DE GIÀCOMO DA LENTINI:
1. O lírio, se colhido, logo é passo, Lo giglio quando è colto tost’è passo pois que sua natureza não vem junta: da poi sua natura non è giunta: e eu, assim que me afasto um passo ed io, da c’unche son partutoContinuar lendo “SONETOS DE GIÀCOMO DA LENTINI:”
O INVENTOR DO SONETO
Os sonetos de Francesco Petrarca foram um modelo de poesia lírica para toda a literatura ocidental. Ronsard, da Plêiade, que sonhava ser “o Petrarca francês”, Shakespeare na Inglaterra, Francisco de Quevedo na Espanha, Sá de Miranda e Camões em Portugal, Gregório de Matos no Brasil, todos eles referência de base nas respectivas literaturas nacionais, juntaram Continuar lendo “O INVENTOR DO SONETO”
COZINHA E FOGÃO
Quando saímos, minha mulher e eu, a comprar nosso primeiro apartamento – ninguém está livre desse tipo de sonho – encontramos este em que estamos morando até hoje, numa relação de absoluta fidelidade dele conosco e nossa com ele. Foi um desses casos raros de amor à primeira vista que continuam pelo resto da vida.Continuar lendo “COZINHA E FOGÃO”
CHINESARIA
Shan Sa era uma garota de 16 anos que fazia poemas, em Pequim, quando o regime mandou metralhar 5 mil estudantes na praça da Paz Celestial, em junho de 1986. A imagem que correu mundo, do estudante solitário desafiando um tanque que avançava sobre ele, num daqueles dias da revolta estudantil, ficará como a melhorContinuar lendo “CHINESARIA”
CÉREBRO
Perdi a conta das vezes que contei aqui resumos de conversas com taxistas. Os leitores não vão se aborrecer se conto mais uma. Os motoristas de táxi, de tanto conduzirem a gente pelas ruas, se tornam uma espécie de condutores também pelos caminhos da vida. Não é difícil de explicar: a profissão deles, que osContinuar lendo “CÉREBRO”
CARANDIRU
Seguidamente visito escolas pelo Rio Grande afora, de Iraí ao Chuí, e acabo vendo e ouvindo coisas lá dentro da cozinha, como se diz. Sou convidado, como seria de esperar, para falar (bem) de minha obra e contar curiosidades do making of de um escritor. Mas sempre uma professora, ou mais raramente a diretora (háContinuar lendo “CARANDIRU”
BOQUIRROTO
Uma noite dessas, zapeando, peguei já na metade o poeta João Cabral de Melo Neto numa entrevista, gravada na certa há mais de 30 anos pela televisão cultural do governo (não sei que nome tinha ela na época). João Cabral estava com um desses óculos de aro grosso, que também já usei, e que davaContinuar lendo “BOQUIRROTO”