O LEITOR INOCENTE

Umberto Eco queixou-se uma vez de que a maioria dos leitores de O nome da rosa, seu romance de maior sucesso, não entendeu o que ele queria. Muitos leram como uma divertida investigação de uma série de crimes num sombrio convento na Idade Média. Outros se incomodaram com a visível crítica a certas posições dogmáticas da Igreja Católica. Poucos perceberam que se tratava de uma denúncia irônica do excesso de seriedade com que até os assuntos mais fúteis são tratados. Ou seja, é uma obra que ri dos que são incapazes de rir. Para se consolar – e consolar outros que estejam na mesma situação – Umberto Eco conclui com uma sentença: só o irônico é capaz de perceber a ironia.

            Há situações em que o riso nunca é bem vindo. Estive há algum tempo numa mesa-redonda, na universidade de Toulon, para discutir se é ou não é lícito fazer caricatura de Maomé ou, mais amplamente, fazer humor com temas religiosos. A maioria dos debatedores, isto é, todos os outros que estavam na mesa, entendiam que essa era uma questão de liberdade de imprensa. Fiquei sozinho na idéia de que há incompatibilidade radical entre religião e riso. O riso não cabe num ritual religioso, nem mesmo o riso das crianças. Não se trata, pois, de liberdade ou não de expressão. Trata-se de aceitar ou não que há duas esferas de percepção: a do riso e a do sério.

            Outro lugar em que o riso irônico é impossível é na política. Um dia ainda vou contar como descobri isso. Na política só é permitido o riso de rebentar os suspensórios, a piada mais ou menos escatológica. Para o riso inteligente é melhor procurar outro lugar.

            Quem escreve romances sofre dessa dificuldade de afinar o seu tom de humor com o de seu possível leitor. A respeito de O quatrilho, por exemplo, grande parte o lê como uma exaltação de figuras do nosso passado. Houve quem o lesse ao contrário, como uma tentativa de denegrir essas mesmas figuras. O que eu queria era bem menos, era apenas que não se levasse tão a sério a mitificação da história.

            Mas sobre essa, como sobre outras questões, Machado de Assis deu já há muito tempo uma explicação definitiva, no seu conto “Teoria do Medalhão”. Para quem conhece seu estilo sibilino, Machado não escreveu o conto apenas para expor uma opinião. Foi para se defender do leitor inocente, que leu a sério, por exemplo, a história de amor de Helena, como se fosse apenas uma adocicada história romântica. Experimente o leitor ler com o mesmo olho crítico com que Machado escreveu e vai ver que surge diante dos olhos uma outra história, muito diferente da interpretação que vem nos manuais. A ironia exige uma certa dose de malignidade. A inocência excessiva do olhar não deixa ver as sombras.

O FUTURO E O PORVIR

Futuro e porvir são duas palavras que os dicionários dão como sinônimas. Quem lida um pouco com elas vê uma certa diferença: porvir não é para ser usada a toda hora. Ela significa futuro, mas em traje social, exige uma oportunidade especial para ser usada.

         Outro dia andei lendo um autor que faz uma diferença bem maior entre as duas palavras. Como ele escreveu em francês, as palavras eram futur e avenir, que vêm a dar nas nossas futuro e porvir. O porvir, ou avenir, seria aquele tempo que se espera continue a existir depois do momento presente, e do qual nada se sabe. O futuro é aquele tempo que virá depois do momento presente, e do qual a gente já sabe como vai ser. Em outras palavras, o futuro é o presente prolongado sob controle. O porvir é o que virá sem o nosso controle.

         O controle do futuro foi o grande projeto da humanidade. À medida em que esse projeto foi dando certo, foi sendo criada a civilização. A invenção do fogo talvez tenha sido o primeiro passo para controlar o futuro: ter luz mesmo à noite, ou não ter que deixar apodrecer a caça, ou não se deixar morrer encarangado. São todos modos de prolongar o presente. Construir a casa onde morar também típico de quem quer manter o controle do futuro. Até aprendi uma historinha desde criança, para explicar por que o urubu não tem casa. É que cada vez que chove, e se molha todo, ele jura que assim que parar de chover vai fazer uma casa. Mas quando pára de chover, ele se esquece de que vai precisar de casa quando chover de novo. Isto é, o urubu não se interessa em manter o futuro sob controle, e só por isso não é humano.

         Nem tudo o que virá depois do presente pode ser controlado. No começo do projeto humano, era muito pouco o que se podia garantir. Tanto que foi criado um provérbio que rodou séculos e séculos: “o futuro a Deus pertence”. Hoje, ao contrário, cada vez mais é previsível o que vai acontecer e cada vez mais é possível adotar no presente as medidas que vão garantir que aconteça o que se quer hoje. É por isso que já se começa a separar esses dois conceitos: o de futuro e o de porvir. O futuro é aquela parte de depois do presente que pode ser controlada. A parte não controlada fica com esse nome de porvir.

Quanto maior for o controle, menos sustos terá a humanidade, seja no seu conjunto, seja no plano individual. Mas ninguém está livre do fortuito, que pode desmanchar os melhores planos. O fortuito ainda não foi controlado. Está dentro de uma faixa de probabilidades que pode ser maior ou menor, mas existe. Isto quer dizer que ainda sobra uma faixa para as surpresas e as decepções. Ou seja, para a imprevisibilidade do porvir. Conviver com ela é ainda um exercício de sabedoria.

O ELOGIO DO ÓCIO

Há nas livrarias uma coleção de ensaios de Bertrand Russell, com o estapafúrdio título de “O Elogio ao Ócio”. O livro de Erasmo, desde a renascença, é publicado com o nome de “Elogio da Loucura”. E um de Norberto Bobbio circula em português com o título correto de “Elogio da Serenidade”. O tradutor, o editor e o revisor que pespegaram a preposição “a”, no lugar da preposição “de”, no livro de Bertrand Russell, estão precisando de um pouco de ócio, talvez, para reaprenderem a língua nacional. Aliás, há jornais por aí cheios de preposição “a” a torto e a direito, quando o editor, ou o revisor, não se dão o trabalho de verificar as regras de regência.

         Ao fazer seu elogio do ócio, Russell não receia ser radical: “Eu acho que se trabalha demais no mundo de hoje (o ensaio é de 1935), que a crença nas virtudes do trabalho produz males sem conta e que nos modernos países industriais é preciso lutar por algo totalmente diferente”. Socialista de carteirinha, Russell entendia que a luta da classe operária para ter emprego e trabalho estava totalmente errada. A luta certa devia ser para os trabalhadores conquistarem seu direito ao ócio e, assim, terem melhor qualidade de vida.

         Anos atrás, em palestra que fiz como convidado numa pequena cidade da região, alguém do público, na hora das perguntas, quis saber a minha opinião sobre qual a principal virtude da cultura do imigrante italiano. A resposta era óbvia, e eu a dei: a principal virtude da gente desta região de origem italiana é a dedicação ao trabalho.

Não satisfeito, o mesmo cidadão resolveu me cobrar: e qual o maior defeito da cultura desta região? Dei a resposta que me pareceu a mais óbvia no momento: o maior defeito é o excesso de valorização do trabalho, que obriga a ficar em plano inferior outras necessidades da pessoa. O público riu, diante do que parecia uma imensa contradição. Mas tenho certeza de que boa parte riu porque descobriu uma verdade. Como observou Chesterton, outro pensador inglês com a mesma verve de Russell, os defeitos são virtudes que se tornaram exageradas. Virtudes que enlouqueceram, é a sua expressão fiel.

Ao jantar, o prefeito da cidade encenou uma reclamação comigo: como é que eu podia dizer que trabalhar muito era um defeito, se ele vivia pregando exatamente o contrário. Mas seus argumentos não foram muito longe quando lhe perguntei se ele teria chegado a ser prefeito se passasse o dia inteiro trabalhando. Ele riu e entregou os pontos. Também para exercer a atividade política e, em última análise, a cidadania, o ócio é indispensável.

ÉTICA E POLÍTICA

Essas duas palavras, postas lado a lado, soltam faísca. É como se ética e política fossem dois pólos, um de corrente positiva e outro de corrente negativa. Por isso todo cuidado é pouco quando se quer saber que relações existem, ou devem existir, entre as duas. Principalmente quando se deseja evitar outros dois pólos opostos no exame da questão: o do moralismo e o do cinismo. O moralismo consiste em exigir na política uma moral que não lhe é própria. O cinismo vai ao outro extremo, o de alegar que em política não cabe espaço para pruridos morais.

Uma das inteligências que mais admiro, na sua capacidade de desfazer esse tipo de nós conceituais, é Norberto Bobbio. Com certeza foi ele quem mais se debruçou, nos tempos modernos, sobre o problema das relações entre ética e política. Quem deseja se aprofundar na questão, vá até ele. Quase todas as suas obras estão já editadas em português.

         A chave toda da questão, na opinião dele, com a qual é impossível não concordar, é esta: ou você acredita numa ética universal, válida para qualquer situação ou atividade humana, ou você concorda que a ética é sempre singular, ou seja, é diferente segundo as diferentes situações ou atividades. Um exemplo bem claro do que seria uma ética singular, diz Bobbio, é o da ética profissional. Para um médico, não contar ao doente que ele não tem mais cura não é visto como mentira. Ao contrário, faz parte da conduta ética nessa atividade e nessa situação.

         Passando do campo das profissões para o campo mais amplo das atividades humanas, não é difícil também de perceber a existência de éticas singulares. Certamente ninguém usa na atividade comercial a mesma ética que usa nas relações afetivas, de onde talvez venha o provérbio “amigos, amigos, negócios à parte”. O que não quer dizer que não haja algum tipo de ética nas relações comerciais. Todos sabem a diferença entre comerciante honesto e comerciante desonesto.         Diante dessas distinções, o que pensar da relação entre ética e política? Sendo a política uma atividade humana singular, não é estranho pensar que ela tenha também uma ética singular, que não necessariamente deve coincidir com as regras de comportamento acordadas para outros tipos de ação humana. A questão é estabelecer a diferença entre político honesto e desonesto.      Em linhas bem gerais, é possível concluir duas coisas. A primeira é que aplicar à política as regras de outro campo de atividade, como as de um convento, é puro moralismo. Por outro lado, pretender que a política não tenha nada a respeitar em outros campos da ação humana, como se fosse uma máfia, seria puro cinismo. Sei que há pessoas que gostariam que as coisas fossem mais simples. Mas viver é complicado. Eu diria que cada vez mais complicado.

A FRIULANA E O IMPERADOR

Um dos segredos mais bem guardados do império foi “a intensa amizade” – na discreta linguagem própria para essa situação – entre uma dama friulana e Dom Pedro II. A dama, Adelaide Ristori, foi considerada pelo público, e também pela crítica, a maior atriz italiana de seu tempo e uma espécie de embaixatriz da cultura da Itália no mundo. Foi agraciada com o título de “rainha da cena”. Título que lhe foi dado no Rio de Janeiro, numa especial homenagem do nosso imperador.

            Nessa relação de amizade entre o monarca e a atriz havia, sem dúvida, interesse de ordem pública. Mas havia também outro de ordem privada, como se sabe agora, quando são divulgadas as cartas trocadas entre os dois. Já na esfera da intimidade, onde o indivíduo tem preservado o mais fundo de si, só é possível fazer suposições.

No plano da política de governo, a presença de Adelaide Ristori no Teatro Imperial foi uma excelente amostra do esforço empreendido por Dom Pedro II para civilizar o Brasil. Para ele – e isso não é novidade –, civilizar era sinônimo de adotar os padrões europeus de cultura, tanto no modo de vestir e de comer, como no de falar e de cultivar o espírito. Basta ler as crônicas de Machado de Assis para avaliar a importância das companhias líricas e teatrais para a vida culta do Rio de Janeiro. Não faltam, nas notas do cronista, críticas ácidas ao “preço elevado dos bilhetes”, à qualidade discutível de alguns espetáculos e ao gosto demasiado benévolo do público fluminense. Mas o fato é que Dom Pedro II criou vida cultural na cidade, e que Adelaide Ristori foi uma diva acima até mesmo da acidez machadiana.

Da esfera privada dessa relação de amizade entre o imperador e a friulana, ficaram nos arquivos perto de 200 cartas, trocadas entre 1869, ano da primeira turnê da Ristori no Rio de Janeiro, e 1891, ano da morte de Dom Pedro. Além da correspondência, mantiveram alguns poucos encontros, sempre previamente combinados, em diversos pontos do circuito lírico mundial. Asseguram, no entanto, os biógrafos que Adelaide Ristori levava junto a família inteira nessas viagens, o que, aliás, era também o costume de Dom Pedro II. Portanto, pouca margem restava para os dois, além da afeição platônica. Somente depois de viúvo Dom Pedro ousou um pouco mais ao falar de seu sentimento pessoal por ela, mas ainda assim de forma cifrada: “podes adivinhar quando as palavras me faltam”.Seria de todo interessante que a correspondência entre Adelaide Ristori e Dom Pedro II fosse conhecida do grande público, e não apenas de alguns poucos atentos às filigranas da História. Nela, todos poderiam ter acesso direto ao coração do imperador. E de sua friulana.

A DEUSA E O MORTAL

      (OU VÊNUS E ADÔNIS DE NOVO)

Manhã cedo, o sol pontual,

Sai Adônis adolescente

Para a sua amada caça

De porcos selvagens: Vênus,

Amorosa e impudente,

O caça, a alma em brasa.

“Flor de homem – sopra a deusa –

mais belo que eu três vezes,

as ninfas botas no bolso

e a rosa e as alvas pombas:

a natureza que te fez

abusou na competência;

“Apeia desse cavalo,

prende a rédea nos arreios,

vem saber dos meus segredos,

vem meus beijos saborear:

ouves não silvo de cobra,

sim o sopro de um mistério;

“Os teus lábios sentem fome:

vou deixá-los mais famintos

com mil beijos num minuto

ou um longo igual a mil;

o dia inteiro de verão

verás passar num momento.”

Toma a deusa a mão suada

do mortal, que sente a flor

da carne desabrochada.

Vênus, trêmula de amor,

no delírio do desejo,

audaz o arranca do cavalo.

CHEIRO DE FRUTA

Juana de Ibarbourou

Com marmelos maduros

Perfumo os armários.

Tem toda minha roupa

Um aroma de fruta que a meu corpo

Dá um constante sabor de primavera.

Quando das prateleiras

Polidas e profundas

Tiro uma pilha branca

De roupa íntima,

Pelo quarto se espalha 

Um clima de pomar.

É como se eu tivesse em meus armários 

Preso o verão!

Esse perfume é meu. Beijarás mil mulheres

Jovens e amorosas, mas nenhuma

Te dará essa impressão de amor agreste

Que eu te dou.

Por isso, em meus armários

Guardo frutas maduras

E por entre as dobras da roupa íntima

Escondo, em molhos secos de vetiver,

Marmelos redondos e coloridos.

Minha pele está impregnada

Dessa fragrância viva.

Beijarás mil mulheres, mas nenhuma

Te dará essa impressão de arroio e selva

Que eu te dou.

_________________________ 

Observação: Este poema é da uruguaia Juana de Ibarbourou, uma de minhas afeições poéticas. A ponto de a traduzir!

MEUS OITENTA ANOS

Ai quanta alegria eu tenho

De chegar a essa idade

Cheia de maturidade

Que os anos dão sempre mais.

E quanto amor, quantos sonhos,

Eu vivi pelo caminho

Sempre cheio de carinho

E abraços bem risonhos.

Por isso quero seguir, 

Tendo sempre o meu afeto,

Sempre com novo projeto,

Para me deixar feliz.

Todos os que estamos juntos

Na chamada quarta idade

Curtamos sempre a saudade

Da aurora das nossas vidas.

VOVÔ E VOVÓ

O inverno tinha coberto de geada os campos lá fora. Sentados perto do fogo, os dois observavam, com o indisfarçado desdém dos sábios e dos vividos, a neta que andava do fogão para a pia, da pia para a sala, da sala para o quarto de dormir, ágil, eficiente, cansativa. 

– Para que tanto arrumar? – disse a avó, quando Genoína voltou com a braçada de lençóis sujos. – amanhã está tudo como antes.

Genoína parou, com um brilho duro nos olhos, ofendida.

– Não vão viver num chiqueiro, não é? Se gostam de sujeira, eu não gosto.

– Ih, já se ofendeu – murmurou a avó, contrafeita. – Eu só queria que ela não trabalhasse tanto.

– Deixa, deixa – interveio o avô. – Ela gosta, deixa fazer.

Genoína ameaçou dizer qualquer coisa e desistiu. Virou as costas e saiu pisando firme para o tanque de lavar. A avó se encolheu com o ar frio que entrou pela porta da cozinha, ao ser aberta. E teve um sobressalto quando a porta foi batida com força, com raiva.

– Não te preocupa com ela – disse o avô. Ela é assim mesmo. Pobrezinha. Já passou dos trinta e não conseguiu ainda casar. É isso. Tem certas coisas que só um homem cura.

Riu. A avó fez um muxoxo de pouco caso.

– Grande coisa são os homens – disse.

– Ei, não fala mal dos homens – reagiu ele. – Não vai me dizer que não foi bom casar comigo? Hein? Hein?

Os olhos dele sorriam, libertinos, entre os feixes de rugas.

– Tu és é um velho sem vergonha, assanhado. Parece que nunca criou juízo.

– Não vai me dizer que tu não gostavas – insistiu ele, malicioso. – Hein, me responde. Gostavas ou não gostavas?

– Não sei – fez ela com ar distante, estudado. – Faz tanto tempo. Não me lembro.

Ele fechou a cara, emburrado, e ainda estava assim quando Genoína voltou do tanque e se pôs a conversar com a avó, as duas sorridentes.

AUTORES GAÚCHOS NA ITÁLIA

Na Universidade de Perugia está o maior tradutor e divulgador da nossa literatura na Itália. Seu nome é Brunelo Natale de Cusatis, professor titular da cadeira de Língua e Literatura Portuguesa e Brasileira. Traduziu para o italiano a poesia de Fernando Pessoa e, para nosso orgulho, escritores de origem italiana aqui do Sul do Brasil. As obras são publicadas na coleção Letteratura Luso-Afro-Brasiliana da Mordacchi Editora, também de Perúgia, em edição bilíngue, para terem função didática. Seus alunos de língua portuguesa recebem textos bilíngues para confrontar o modo de construção de cada idioma.

De Cusatis começou a ter interesse nos escritores gaúchos quando conheceu o poeta Armindo Trevisan, natural de Santa Maria, de que  traduziu Versi puri e impuri. Depois levou para o italiano uma antologia de Racconti de Sérgio Faraco, nascido em Alegrete e, por último, o livro de poemas com o título de Nel Dolore Sconfinato (Nos Gerais da Dor), da guaporense Maria Carpi.

No meio dessa leva, em 2008, o meu O Caso do Martelo virou Il caso del martello. Lembro que ao ler a tradução italiana deparei com a palavra bigonce. Nada menos que a matriz dos nossos “bigunchos” de colher uva, que usei no capítulo dois da novela e que, como a palavra “quatrilho”, ainda não entrou no dicionário da língua nacional. 

Brunelo De Cusatis esteve em Caxias do Sul, dando uma palestra no Doutorado em Letras na UCS sobre o que se esconde por trás do trabalho de um tradutor. Me contou então que Il caso del martello tinha saído em terceira edição. Com os seus bigunchos em paz com le bigonce…

Um ano depois, deu-me a alegria de me levar em seu carro para conhecer Assis e todos os locais onde viveu São Francisco, o primeiro a escrever poesia na língua vulgar que se tornaria com o tempo a língua italiana.

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